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O FC Nantes ainda não mudou de proprietário. Por trás dos anúncios, dos nomes conhecidos e dos valores que circulam, o processo continua preso a uma etapa muito concreta: convencer a DNCG. A Phenix Sports Invest, estrutura conduzida por Paulo Tavares, precisa apresentar garantias financeiras sólidas antes de qualquer mudança efetiva. Nessa novela do Nantes, o mais decisivo não acontece, portanto, em um camarote nem em um comunicado triunfal, mas diante do órgão regulador econômico do futebol francês.
Uma promessa de venda, não uma transferência de poder
O ponto central precisa ser colocado com calma: o acordo mencionado em torno do FC Nantes não significa que Waldemar Kita já tenha transferido o clube.
O ponto central precisa ser colocado com calma: o acordo mencionado em torno do FC Nantes não significa que Waldemar Kita já tenha transferido o clube. A família Kita, proprietária desde 2007, abriu uma fase de negociação com a Phenix Sports Invest, mas o controle do clube não muda enquanto as etapas regulatórias e financeiras não forem validadas.
Essa nuance pesa muito. Ela explica por que o processo pode avançar publicamente sem estar juridicamente concluído. Em Nantes, onde as últimas temporadas já desgastaram bastante os nervos, cada palavra conta. Uma promessa, um protocolo ou um acordo de princípio não produzem os mesmos efeitos que uma cessão finalizada. Por enquanto, o clube permanece, portanto, em uma zona intermediária: avançado o suficiente para alimentar a ideia de um novo ciclo, mas não seguro o bastante para falar em ruptura concretizada.
A Phenix Sports Invest destaca um projeto internacional, com investidores franceses, portugueses e luxemburgueses. A ambição anunciada vai além de uma simples retomada contábil: recuperação esportiva, modernização da imagem, trabalho na marca e projeção para um retorno. No papel, é algo amplo. Nos escritórios de controle, será preciso sobretudo que seja financiado.
O bloqueio dos 25 milhões
A DNCG exige uma garantia de cerca de 25 milhões de euros bloqueados em uma conta antes de receber os compradores. Esse valor corresponde a uma necessidade de cobertura das perdas e busca verificar se o projeto não se baseia apenas na compra do clube, mas também em sua capacidade de absorver os déficits futuros.
É aí que o processo assume um rumo menos espetacular, mas mais sério. Comprar um clube não consiste apenas em pagar o preço pedido pelo vendedor. Também é preciso demonstrar que a operação continuará funcionando, que a folha salarial permanecerá sustentável, que os compromissos não colocarão a equipe em risco e que o orçamento da temporada poderá ser mantido sem uma aposta frágil.
Para Nantes, o desafio é ainda mais sensível porque o clube vem de anos esportivamente conturbados e financeiramente restritivos. Uma operação mal estruturada poderia expor a instituição a sanções pesadas, desde o controle orçamentário até medidas esportivas muito mais penalizadoras. A DNCG não julga o glamour do projeto. Ela analisa as contas, as garantias e a coerência do conjunto. É menos vendável do que uma foto com uma celebridade, mas muito mais decisivo.
Nomes que atraem, contas que decidem
O projeto da Phenix Sports Invest também chamou atenção pelas personalidades associadas à sua narrativa. Marcelo e Snoop Dogg são apresentados como figuras capazes de dar ao clube um alcance internacional e reforçar sua atratividade comercial. A ideia se encaixa em uma tendência do futebol moderno: atletas, artistas ou investidores midiáticos entram em projetos de clubes para oferecer visibilidade, rede de contatos e narrativa.
Mas Nantes não é um produto para ser repintado em uma campanha mundial. É um clube com um estádio, um público exigente, uma história pesada e uma situação esportiva a ser recuperada. A notoriedade pode abrir portas, atrair parceiros ou dar impulso ao marketing. Ela não substitui um plano de financiamento robusto, uma estratégia esportiva clara nem uma governança estável.
A questão colocada pela DNCG traz, portanto, todos de volta à realidade. O projeto pode ser ambicioso, o elenco de nomes pode intrigar, os valores podem circular: sem garantias disponíveis e verificáveis, a venda continuará suspensa.
Um calendário sob pressão
A próxima sequência é simples de entender: apresentação do processo, análise pela DNCG e, depois, decisão sobre a solidez financeira da operação. Enquanto essa etapa não for concluída, Nantes continuará em uma zona de espera, com um proprietário ainda no cargo e um comprador ainda candidato.
Para os torcedores, a impaciência é compreensível. O clube precisa de uma direção clara, de um rumo esportivo e de um ambiente menos tenso. Mas esse processo relembra uma verdade bastante fria: no futebol francês atual, o dinheiro prometido já não basta. É preciso dinheiro disponível, controlado e colocado no lugar certo.
Se a Phenix Sports Invest apresentar as garantias exigidas, a compra poderá ganhar consistência real e abrir o debate sobre o projeto esportivo. Caso contrário, o FC Nantes terá vivido sobretudo mais um capítulo de uma transição fracassada, com aquela impressão familiar de que a Beaujoire vê muitos cenários passarem antes de ver chegar uma certeza.
